terça-feira, 15 de julho de 2014

Um exemplo enviado por Deus


“Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2 Tessalonicenses 3:10)



Após experimentarem um fracasso retumbante na Eurocopa de 2.000 (ou de 2.004, segundo Paul Breitner), apresentando um futebol ultrapassado, os dirigentes da Deutscher Fußball-Bund se reuniram para discutir como reverter esse quadro. Concluíram que somente com educação (espelhando-se em Platão, que fundou sua academia para educar os jovens, segundo o "Der Spiegel"), sem depender de políticos, é que poderiam formar homens, independente da conquista de títulos.

Humildemente, estudaram as referências em centros de formação de talentos da época; planejaram a construção de “escolinhas” de futebol, para a qual os clubes mais pobres contariam com o auxílio dos mais ricos, direcionadas para o ensino da tática, da técnica e da habilidade, obrigatórias a todos os times da Bundesliga; proibiram os gastos maiores do que a arrecadação e o controle acionário das equipes pelos patrocinadores.

Os frutos não tardaram a aparecer: conquistaram títulos europeus nas categorias de base (sub-17, sub-19 e sub-21), foram vice-campeões europeus em 2008, mas terceiro colocados em 2012, e chegaram a todas as semifinais de Copas do Mundo desde então.

Mas ainda faltava uma conquista.

Durante a preparação para a Copa do Mundo no Brasil, os alemães nos surpreenderam ao participarem da construção, em menos de seis meses, de sua concentração (que será aproveitada como um empreendimento turístico e uma escola de hotelaria) e da respectiva rodovia de acesso até a cidade, em Santa Cruz de Cabrália, sul da Bahia, local onde foram realizadas as primeiras missas no Brasil.

No entanto, os germânicos foram além: construíram um campo de futebol para os moradores, doaram uma ambulância para a comunidade indígena, além de material escolar, móveis e dinheiro, este por um período de três anos, para a escola da Vila de Santo André ...

... E como se todas as realizações acima relacionadas não fossem suficientes, a seleção alemã não poupou na distribuição de gestos de simpatia, gentileza e cordialidade aos moradores locais, assim como aos brasileiros em geral, quebrando o paradigma de que o povo alemão é frio e insensível.

Mesmo após a acachapante aula de futebol aplicada ao Brasil, em que se mantiveram respeitosos ainda em campo, invariavelmente os alemães se manifestaram posteriormente em tom de reverência àqueles que, um dia, foram considerados os reis do esporte bretão.

Não haveria como apoiar outra equipe na final.

Não haveria como torcer contra aqueles que, há mais de uma década, começaram a planejar a conquista de maneira meticulosa, organizada, com parcimônia, não mediram esforços para atingir o resultado positivo, ensinaram-nos que os objetivos somente podem ser obtidos à custa de muito, mas muito, trabalho honesto, de renúncias e mediante a superação de etapas.

Não há como não admirar a fartura de exemplos de virtude oferecida pela seleção alemã.

Que possamos, ao menos, ter a visão minimamente lúcida para enxergar e extrair algo dessa lição de vida ministrada por Deus, através de uma equipe de futebol que conquistou o coração dos brasileiros.



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