terça-feira, 31 de março de 2015

Um sugestão é apenas ... Uma sugestão!

"Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;
Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas." (Mateus 6, 14:15)



Certa feita, em um evento corporativo, encontrei um sujeito conhecido. Mal me cumprimentando, ele disparou, sôfrego: "lembrei-me de você ontem, ao ler uma coluna no jornal". Perguntei-lhe o título. Com a resposta, reconheci-a imediatamente. Uma tolice, já tinha presumido durante a leitura do folhetim. Trocamos algumas amenidades. Não mais o vi durante o dia.

Já em casa, durante a noite, resolvi dar uma chance à autora. Minha expectativa se confirmou. Não me contive e enviei uma mensagem ao rapaz, comentando minhas impressões, comparando-a com um autor que publicou no mesmo dia e com outra do mesmo veiculo de comunicação e do mesmo estilo. Sugeri algumas leituras mais edificantes. Fui dormir e esqueci o assunto.

No dia seguinte, ao espiar a linha do tempo da rede social (coisa que não costumo fazer, por não considerar um hábito salutar, como se verá a seguir), por ironia do destino, deparei-me com uma publicação de nossa personagem.

Por indireta, ela lamuriava por ter "apenas" recomendado um texto descontraído e despretensioso a alguém (como se uma comparação de uma determinada ideologia política a um cão hidrófobo pudesse ser enquadrado nessa categoria; e mais, como se associação desta alegoria a outrem não pudesse ser considerada uma ofensa - mas neste ponto, tudo bem, eu tiro de barato). E o mais inusitado: acusou um "pedantismo" apenas porque lhe foi retribuída a sugestão de leitura com outras.

Bem, senhores, esse episódio nos oferece um termômetro de nossa sociedade.

Uma coluna obscura. Um texto medíocre. Uma autora que se perde na surrada tentativa de rotular quem pensa diferente como agressivo, intolerante ou raivoso. Chega a ser curioso como os "escritores" de determinada linha de pensamento não encontram outro modelo comparativo. Ironia é uma fina arte que não está acessível a qualquer jejuno em artes literárias, pois mais que se tenha milhares de fãs a dizer à “celebridade” o contrário.

Alguém o utiliza para se aludir a outrem, aparentando não se dar conta de seu potencial ofensivo. E o mais grave, demonstra afetação e contrariedade quando alguns outros autores lhe são apresentados. Talvez porque não possa confessar que não entenda a língua inglesa. Ou talvez porque, no alto de sua tolerância, seu corpo seja tomado pela urticária à remota ideia de ter contato com um texto de orientação política diferente da sua.

Em um giro, ofensor se torna ofendido. Risível, se não fosse trágico.

Neste ponto, é inevitável: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

Não se melindre, "amigo".

Uma sugestão é apenas ... Uma sugestão!

Vivemos um tempo em que as referências literárias são Chico ou Paulo. Humorista bom, somente se for a favor. Contra o politicamente inconveniente, vale tudo - é descontraído; é leve; é descompromissado. A “nossa” moral é melhor que a “deles”. A “eles”, nada é permitido, muito menos a ousadia em contestar qualquer coisa.

A pressão para que se mantenha retido e respirando dentro deste ambiente asfixiante é constante.

Aos demais leitores, não se intimem. Tenham ousadia. Há vida muito mais inteligente no oceano imenso que está a suas esperas além desse tanque de águas turvas. É um salto do qual não se arrependerão.

Temos o Flávio, o Alexandre, e o Marcus. Para quem gosta de crônicas, temos o Paulo. Temos o Guy e o outro Alexandre. Desnecessário citar o rottweiler amoroso ou o astrólogo.

E já que se imputa a pecha de "pedante" (mea maxima culpa), temos o Thomas, o Walter, o Ben, a Ann, o Pat, o Dennis, o Dr. Ben e o Humberto, todos da mesma página.

São profundos e interessantes textos, num grau de intelectualidade inimaginável a quem está acostumado com os “debates” por estas plagas. A quem tem um nível de compreensão sofrível do inglês, com a constância e a persistência será possível conquistar um belo incremento na fluência da língua.

Alguns lhes ofenderão, mediante pretensos gracejos, outros tantos se afastarão. Mantenham a firmeza e a retidão de espírito. Tudo passa. Até a insensatez do homem.


Deo gratias!

quarta-feira, 18 de março de 2015

A Natureza do Escorpião





"Nem tudo que reluz é ouro, proclamam os sábios em coro, 
muita gente acaba em choro, por só procurar tesouro. 
Mausoléus são comedouro de vermes em fervedouro. 
Se houvesse sabedoria nessa vossa cortesia, 
a consulta não faria turvar-vos a fantasia."

(Shakespeare, Mercador de Veneza
Ato II, Cena VII)

Diariamente, agradeço a Deus por atrair a meu círculo de amizades pessoas que se apresentam com elevada capacidade intelectual.

No entanto, chama-me a atenção que muitas delas, algumas das quais tenho em alta conta, estão se deixando seduzir e levar pelo encanto da sereia ...


"Nossa! Você viu os últimos posts do japa tonto? Quanta lucidez! Mona, concordo 100% com o último artigo da Elianta Bronca! Um alento! Mano, até o Salafado, sósia do Lenine, está mandando bronca no governo! Cê viu a última da Cartilha Capetal?"


(- Caraca, quanta falta de imaginação! Cada trocadilho mais infame, um pior que o outro ... Você se superou, no pior sentido! Não consegue pensar em nada melhor em alusão a essas personagens ilustres, não?

- 'Rapaiz', tenho que te confessar que não, minha criatividade anda bem em baixa ultimamente ... Meus textos se resumem a rascunhos inacabados, minha esposa não consegue entender minhas falas, que sempre ficam pela metade ... Mas se tiverem sugestões melhores, deixem na caixa de comentários, que as avaliarei com carinho, certo?)

'Gentem', não se enganem ...


Apenas um exemplo: um cérebro que constrói argumentações como a defesa da criminalização da ostentação de bens materiais, ou do 'preconceito' por não se consumar a relação (sim, essa mesma, a da acepção bíblica) com uma ‘bela donzela’ que, no momento de intimidade, inusitadamente se revelasse - hum, podemos dizer assim - dotada com o mesmo ‘instrumento de trabalho’ de seu interessado romântico (estaria a se justificar para a patota?), não se emenda repentinamente.


Esse pessoal produziu, produz e produzirá o chorume do mais baixo nível já visto na imprensa nacional.


Primatas otimizados ou adoráveis bichinhos de estimação demonstram ter mais neurônios e apresentam comportamento mais respeitável que essa gente.


Mesmo nos textos que tem causado estupefação e admiração de tantas pessoas, as quais reputo esclarecidas, é possível encontrar inúmeros atos falhos e indícios de manutenção das mesmas posturas, antigas e cristalizadas, de insistência e subserviência a uma causa (ou a uma ideologia), cuja experiência demonstra que o resultado inevitável a se atingir será "o choro e o ranger de dentes".


A "surpreendente" mudança de "opinião" representa apenas, 
cada qual a sua maneira, uma tentativa de limpar a respectiva reputação, pois o governo que os sustenta cairá, não restam dúvidas, mas eles permanecerão na ativa, órfãos, e precisarão sobreviver sem o capilé.

Se não mantiver alguma audiência, sácumé, né ...


É necessário mostrar-lhes que a liberdade de expressão é sagrada, mas que suas opiniões desonestas, venais, a soldo, são irrelevantes.


A sociedade precisa granjear prensamentos mais elevados, alavancar ao espaço público vozes mais honestas e salutares, dar ouvidos a agentes que sejam portadores de argumentações mais sólidas e intricadas.


E varrer essa egrégora tóxica para o porão da insignificância da qual nunca deveria ter saído.


PS: A lenda que inspirou o título deste post pode ser encontrada aqui.


(Desenvolvimento de uma nota publicada em rede social)