"Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;
Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas." (Mateus 6, 14:15)
Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas." (Mateus 6, 14:15)
Certa feita, em um evento corporativo, encontrei um sujeito conhecido. Mal me cumprimentando, ele disparou, sôfrego: "lembrei-me de você ontem, ao ler uma coluna no jornal". Perguntei-lhe o título. Com a resposta, reconheci-a imediatamente. Uma tolice, já tinha presumido durante a leitura do folhetim. Trocamos algumas amenidades. Não mais o vi durante o dia.
Já em casa, durante a noite, resolvi dar uma chance à autora. Minha expectativa se confirmou. Não me contive e enviei uma mensagem ao rapaz, comentando minhas impressões, comparando-a com um autor que publicou no mesmo dia e com outra do mesmo veiculo de comunicação e do mesmo estilo. Sugeri algumas leituras mais edificantes. Fui dormir e esqueci o assunto.
No dia seguinte, ao espiar a linha do tempo da rede social (coisa que não costumo fazer, por não considerar um hábito salutar, como se verá a seguir), por ironia do destino, deparei-me com uma publicação de nossa personagem.
Por indireta, ela lamuriava por ter "apenas" recomendado um texto descontraído e despretensioso a alguém (como se uma comparação de uma determinada ideologia política a um cão hidrófobo pudesse ser enquadrado nessa categoria; e mais, como se associação desta alegoria a outrem não pudesse ser considerada uma ofensa - mas neste ponto, tudo bem, eu tiro de barato). E o mais inusitado: acusou um "pedantismo" apenas porque lhe foi retribuída a sugestão de leitura com outras.
Bem, senhores, esse episódio nos oferece um termômetro de nossa sociedade.
Uma coluna obscura. Um texto medíocre. Uma autora que se perde na surrada tentativa de rotular quem pensa diferente como agressivo, intolerante ou raivoso. Chega a ser curioso como os "escritores" de determinada linha de pensamento não encontram outro modelo comparativo. Ironia é uma fina arte que não está acessível a qualquer jejuno em artes literárias, pois mais que se tenha milhares de fãs a dizer à “celebridade” o contrário.
Alguém o utiliza para se aludir a outrem, aparentando não se dar conta de seu potencial ofensivo. E o mais grave, demonstra afetação e contrariedade quando alguns outros autores lhe são apresentados. Talvez porque não possa confessar que não entenda a língua inglesa. Ou talvez porque, no alto de sua tolerância, seu corpo seja tomado pela urticária à remota ideia de ter contato com um texto de orientação política diferente da sua.
Em um giro, ofensor se torna ofendido. Risível, se não fosse trágico.
Neste ponto, é inevitável: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.
Não se melindre, "amigo".
Uma sugestão é apenas ... Uma sugestão!
Vivemos um tempo em que as referências literárias são Chico ou Paulo. Humorista bom, somente se for a favor. Contra o politicamente inconveniente, vale tudo - é descontraído; é leve; é descompromissado. A “nossa” moral é melhor que a “deles”. A “eles”, nada é permitido, muito menos a ousadia em contestar qualquer coisa.
A pressão para que se mantenha retido e respirando dentro deste ambiente asfixiante é constante.
Aos demais leitores, não se intimem. Tenham ousadia. Há vida muito mais inteligente no oceano imenso que está a suas esperas além desse tanque de águas turvas. É um salto do qual não se arrependerão.
Temos o Flávio, o Alexandre, e o Marcus. Para quem gosta de crônicas, temos o Paulo. Temos o Guy e o outro Alexandre. Desnecessário citar o rottweiler amoroso ou o astrólogo.
E já que se imputa a pecha de "pedante" (mea maxima culpa), temos o Thomas, o Walter, o Ben, a Ann, o Pat, o Dennis, o Dr. Ben e o Humberto, todos da mesma página.
São profundos e interessantes textos, num grau de intelectualidade inimaginável a quem está acostumado com os “debates” por estas plagas. A quem tem um nível de compreensão sofrível do inglês, com a constância e a persistência será possível conquistar um belo incremento na fluência da língua.
Alguns lhes ofenderão, mediante pretensos gracejos, outros tantos se afastarão. Mantenham a firmeza e a retidão de espírito. Tudo passa. Até a insensatez do homem.
Deo gratias!
